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Cultura de Libertação – Alysson no país das maravilhas

Por Dionízio do Apodi*

Certa vez um discípulo do grande filósofo Sócrates, empolgado depois de ouvir o mestre, em um de seus discursos, falou: mestre, todas as pessoas que te escutam saem maravilhadas. Se pegarmos os políticos e amarrarmos eles todos numa cadeira para te ouvir, durante algumas horas, eles alcançarão a liberdade?

Sócrates respondeu através de uma metáfora, utilizando a própria mãe, que era parteira, e que passou a vida inteira ajudando as mulheres dar à luz suas crianças. Sócrates disse que a sua mãe só podia fazer esse trabalho de parteira com as mulheres que estivessem grávidas. Do contrário, era trabalho perdido tentar enxergar o nascimento de uma criança a partir de uma mulher que não estivesse grávida. Mesmo com sua grande experiência como parteira, seria impossível trazer à luz quem não estivesse em estado de gravidez.

Da mesma forma, mesmo que amarrassem um político para ouvir Sócrates ou qualquer discurso, ou qualquer argumento libertário, seria perda de tempo, se não houvesse no político, uma mínima condição de aprendizado, estado de gravidez como a metáfora sugere.

O prefeito de Mossoró se encontra nessa condição de mulher que não está grávida querendo dar à luz um filho. Não tem como. Perda de tempo. As ações de querer assumir uma valorização da cultura mossoroense através do Mossoró Cidade Junina são tão tolas, para quem tem o mínimo de conhecimento, mas ainda fortes para ludibriar parte da nossa humilde e sofrida população, tão fácil de ser distraída pelas ações de massa e de grande e cara aparelhagem midiática, que o prefeito utiliza.  

Enquanto em um sábado de junho o prefeito e todo seu arsenal midiático inventava a roda (o maior Pingo e Cidade Junina da história, São João mais cultural do mundo, duzentas mil pessoas, mascando chiclete com banana), na terça-feira seguinte a bancada de vereadores dele votava contra, orientada por ele, tendo como testemunha cerca de cinquenta bravos e bravas companheiras e companheiros de luta, absurdos que qualquer forasteiro de passagem por essas terras duvidaria que ocorresse em lugar tão propagado e cheio de boas novas: criação de programa de combate à fome, programa de acolhimento de mulheres vítimas de violência, apoio a crianças e adolescentes, possibilidade de envio de emendas por parte de vereadores para instituições culturais, esportivas, sociais. A bancada desse “país encantado” no qual vive o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, foi contra isso.

Se Bell Marques foi tão bem recebido (e precisa ser) pelo prefeito e comitiva no aeroporto de Mossoró, Sheilinha da Geléia passou dias para cima e para baixo atrás de notícias do Polo de Cultura Popular, no qual estava inserida, sem saber onde seria, como seria, a partir de que dia, sem informação nenhuma. No primeiro dia que foi não teve porque a energia não estava instalada e ainda ficou na chuva. Na sexta-feira Sheilinha, teimosa, foi, mas companheiras suas já desistiram, por conta da falta de organização. O teatro de bonecos também foi, mas não teve porque o palco não estava montado. O prefeito não passa por lá pra fazer selfie, só passa nos palcos de massa, pois é lá que ele se fortalece, utilizando os mesmos artifícios dos governos passados, que ele tanto criticava quando representava seu personagem, durante a campanha. Estão improvisando o polo de cultura popular, ainda montando uma programação. Nada diferente do esperado, pois quando as “atrações ricas” foram anunciadas, os de Mossoró foram colocados como ATRAÇÃO LOCAL.

Safadão e seus seiscentos mil reais de cachê eram defendidos, com unhas e dentes, pelo prefeito, diante do Ministério Público. Já Maxson e Alana da Tapioca (a Tapioquinha Maria Bunita) sofriam rodando de um lado pra outro nas secretarias, pagando taxas do solo que já usam há três anos, para a Prefeitura chegar lá e jogar os banheiros químicos ao lado, depois de ter garantido que não iriam ser colocados lá, e retiraram… e colocaram de novo… e a Vigilância Sanitária oprimiu a tapioca… mas não deu um pio com a Prefeitura… ninguém tem poder de ir contra ela. O trailer da Tapioca fechou para este mês de junho, infelizmente, que pena, quanta pena… enquanto o prefeito segue a sua saga de esbanjar sorrisos, fotografar o que “dá certo”, rodeado de blogueiro(a)s.

Enquanto o prefeito tem todos os espaços para falar o que quer, pagos e não pagos, o Chuva de Bala impede que o(a)s artistas participantes falem em política. Em um dos ensaios um ator foi advertido por falar numa conversa um “fora, Bolsonaro”, e orientado a não falar sobre política no Chuva de Balas. Ora, bolas! Já participei de muitas edições do espetáculo, tenho consciência que ajudei a construí-lo, e nunca vivi algo desse tipo, e nem viveria. Sempre utilizei os espaços de fala que Lampião me deu para falar de política, para expor minha opinião. Que graça tem essa brincadeira, assim, podando o(a) artista? Coisa de gente que tem medo do debate de ideias.

Nesta sexta, antes de um dos “grandes shows” da Estação das Artes a Prefeitura soltou, ou permitiu, na própria Estação, fogos de artifício ruidosos, desrespeitando autistas, idosos, recém-nascidos (pertinho fica a Maternidade Almeida Castro) e animais, descumprindo a lei municipal 3.942 deste ano 2022, que não permite mais fogos ruidosos no município.

Fogos ruidosos no MCJ 2022 – Foto: Internet

Quando eu criticava a gestão de Rosalba, Fafá e adjacentes, o poderio dizia que era politicagem. Esse povo todo saiu mas os problemas ficaram (os mesmos) porque a forma de fazer política é a mesma. Então, continuo minha crítica, agora para o cordão azul escuro, e continuo “fazendo politicagem” como dizem os defensores do prefeito. Politicagem quem faz são esses que defendem essa política velha e atrasada, dos que passaram e dos que estão no Palácio da Resistência. Continuam usando a mesma forma, comandando a “comunicação” e a vassalagem. Fico inconformado com tanta gente jovem na comunicação em Mossoró e tão pouca independência, tão pouco compromisso com a construção de uma Mossoró melhor. Se bajula muito e comunica-se pouco. Por esses dias vi um blog descrevendo o que o novo palco do Mossoró Cidade Junina representa. E eu doido para descrever o que os trabalhadores e as trabalhadoras de cultura de Mossoró sofrem, a maior parte, espalhada pela zona urbana e pelas mais de cento e trinta comunidades rurais, vítimas de uma estrutura que passa por cima dos pequenos, sem dó.

Espero que este tão aclamado piso intertravado, da Estação das Artes Eliseu Ventania, que desmanchou na primeira noite, esteja anunciando o desmanche dessa maneira velha de fazer política, imposta, ao longo de décadas, pelo Palácio da Resistência. Para seguir a estrutura vigente é fácil, bem fácil, o mais fácil, para quem comanda e para quem é comandado(a). A receita é simples: deixe o trabalhador e a trabalhadora morrendo de fome, depois dê uma migalha e faça promessas. Fomento, mesmo com toda a luta dos que fazem o setor cultural, não tem.  Mas para nós de Mossoró, que não temos interesse em aprender a cartilha, nem as migalhas do Mossoró Cidade Junina.

Novo Piso da Estação das artes apresenta problemas – Foto: Internet

Não sou contra Mossoró Cidade Junina. Sou contra esse formato que atrasa, apaga e mata a cultura mossoroense. Porque quem é preso quer aprisionar, só quem é livre pode libertar.

Até o próximo domingo!  Abraços e há braços!

* O ator, diretor e agente cultural Dionizio do Apodi fala sobre cultura, políticas públicas e sociedade na coluna Cultura de Libertação

* Este artigo é de responsabilidade do colunista e não representa a opinião do Portal nordeste360

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5 COMENTÁRIOS

  1. Excelente texto;críticas bem postas. A propósito, sinto falta do seu trabslho,especialmente nesse momento M. C. J.pois ninguém faz um Lampião com tanta verdade,com uma audácia tão forte, própria do dito, mas só D do A. consegue expressar.Viva M.C.J ! Viva a classe artística mossoroense!

  2. Espero que um dia o povo acorde deste pesadelo. Passem a ver com clareza a dura realidade. Parabéns amigo por fortalecer está luta de esclarecimento que a população tanto nescesita.

  3. Faz. De que jeito? Só mesmo que já se vinha fazendo. Não estou feliz com esse governo porque ele faz a mesma coisa que ia outros que passaram. Mesmo formato. É só ler o texto que eu acho que você vai entender.

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