O tabuleiro político potiguar para as eleições de 2026 começou a ganhar contornos mais nítidos nos últimos dias, a despeito das recentes movimentações que sugeriam uma possível alteração de rota. A confirmação de que o vice-governador Walter Alves não renunciará ao cargo para disputar o pleito — o que impediria Fátima Bezerra de se afastar para concorrer ao Senado sem entregar o comando do estado a um adversário — não foi suficiente para demover os principais atores de seus projetos. A governadora mantém firme a sua pré-candidatura à câmara alta, enquanto o prefeito Allyson Bezerra, de Mossoró, consolida-se como o principal nome da oposição para a sucessão estadual. Essa persistência nas intenções de candidatura, mesmo diante de entraves institucionais e partidários, revela uma antecipação do ciclo eleitoral que deve pautar a gestão pública e os debates políticos ao longo de todo o ano de 2025.
Sob a ótica da governabilidade e da estratégia política, a manutenção do nome de Fátima Bezerra para o Senado, mesmo sem a "vacância planejada" do Executivo, sugere que o grupo governista buscará alternativas jurídicas ou políticas para viabilizar sua saída em abril de 2026. Do outro lado, a ascensão de Allyson Bezerra representa um desafio geracional e de gestão. O prefeito mossoroense tem pautado sua pré-campanha em uma comunicação agressiva e na entrega de obras, tentando exportar o modelo administrativo da segunda maior cidade do estado para o plano estadual. Contudo, analistas ponderam que a transição de uma prefeitura para o Governo do Estado exige mais do que popularidade digital; demanda uma sólida base de apoio parlamentar e um plano de governo que enfrente o déficit fiscal estrutural do Rio Grande do Norte, tema que muitas vezes é evitado em discursos de palanque.
A análise conservadora e técnica sobre este cenário aponta para uma preocupação central: a separação entre a administração pública e a antecipação eleitoral. É imperativo que os atuais gestores não permitam que as pretensões de 2026 paralisem as necessidades de 2025. O Rio Grande do Norte atravessa desafios críticos em áreas como segurança pública e equilíbrio das contas, e o foco excessivo em alianças partidárias pode custar caro à eficiência administrativa. Além disso, a postura do MDB, sob a liderança de Walter Alves, demonstra que o pragmatismo político continuará sendo a tônica das negociações, onde o controle da máquina estadual nos meses finais do mandato é um ativo valioso demais para ser descartado em nome de acordos prévios que não ofereçam garantias totais de vitória.
A configuração que se desenha, portanto, é a de uma polarização entre a continuidade do atual modelo de gestão estadual e uma proposta de renovação liderada pelo bloco de oposição. A clareza das intenções de Fátima e Allyson, neste momento, serve para organizar as forças políticas e oferecer ao eleitor potiguar o tempo necessário para avaliar os resultados de cada gestão. O que se espera é que o debate eleitoral que se aproxima seja pautado por propostas concretas para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte, e não apenas por conveniências de sobrevivência política ou manutenção de espaços de poder.
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