O Rio Grande do Norte acaba de oficializar o que muitos já previam, mas que a narrativa oficial tentava maquiar com o verniz da "gestão humanizada": o retorno triunfal do atraso salarial.
Ao anunciar que o 13º salário de ativos, aposentados e pensionistas só verá a cor do dinheiro em 9 de janeiro — tecnicamente empurrando a obrigação para o exercício de 2026 — o Governo do Estado assina um atestado de insolvência administrativa em plena véspera de Natal.
Enquanto as luzes da Arena das Dunas brilham, a ceia do servidor público definha sob a sombra de uma "programação responsável" que, na prática, funciona como um confisco temporário de sobrevivência. Esta derrocada financeira ilumina, com a clareza de um refletor de estádio, o súbito desinteresse do vice-governador Walter Alves em assumir o comando da nau potiguar.
O cargo de Governador, historicamente o ápice das ambições da oligarquia Alves, tornou-se subitamente uma "bomba" térmica que ninguém deseja segurar no colo. Walter, demonstrando um instinto de preservação quase biológico, parece ter compreendido que sentar-se na cadeira principal agora não seria um ato de ascensão política, mas um exercício de masoquismo institucional. Afinal, quem teria o apetite de herdar um rombo fiscal desse vulto e um funcionalismo que, com razão, substituiu a esperança pelo ressentimento?
A nota oficial, ao utilizar termos como "responsabilidade", beira o humor involuntário, senão fosse trágico para quem depende do soldo para honrar os compromissos de fim de ano. O desgoverno não é mais uma acusação da oposição; é um dado aritmético, um fato consolidado em contas bancárias vazias.
O Rio Grande do Norte caminha para um 2026 de incertezas, onde a única garantia parece ser a de que o abismo, para quem está mal gerido, nunca tem fundo. Walter Alves, em sua prudência silenciosa, talvez seja o único que realmente entendeu o tamanho da herança maldita que se desenha no horizonte.
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