A economia do Rio Grande do Norte iniciou o ano de 2026 sob uma perspectiva que exige cautela por parte dos gestores públicos e do setor produtivo. Embora o saldo comercial permaneça em terreno positivo, os dados consolidados de janeiro revelam uma desaceleração acentuada que liga o sinal de alerta para a estabilidade fiscal e o crescimento do estado a curto prazo. A retração nos números globais expõe a vulnerabilidade de um modelo econômico que ainda se vê excessivamente atrelado a oscilações de poucos produtos e mercados internacionais.

Conforme dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações potiguares somaram US$ 77,9 milhões em janeiro, o que representa uma queda drástica de 30% em comparação ao mesmo período de 2025. Paralelamente, as importações subiram 18%, atingindo US$ 56,3 milhões. Esse descompasso resultou em um superávit de US$ 21,6 milhões — um valor 66,5% menor do que o registrado no início do ano anterior. O estado ocupa hoje a 19ª posição no ranking de exportadores nacionais, respondendo por apenas 0,34% das vendas externas do Brasil.

O detalhamento da pauta exportadora revela o motivo do recuo. O setor de óleos combustíveis, que vinha sendo um dos pilares da arrecadação estadual, sofreu um colapso de 84,7% nas vendas externas, reduzindo a receita nesse item em mais de US$ 52 milhões. O desempenho só não foi mais grave graças à entrada do ouro não monetário na pauta, que somou US$ 29,8 milhões e ajudou a equilibrar as perdas. No setor agrícola, a fruticultura (melões e melancias) manteve sua relevância com US$ 31,4 milhões exportados, apesar de uma retração de 13,9% em relação ao ano passado.

Sob uma ótica conservadora e tecnocrata, o cenário exige uma reflexão profunda sobre a política de incentivos e a necessidade urgente de diversificação da base produtiva. A dependência excessiva de commodities de baixo valor agregado e a volatilidade do setor de energia deixam o Rio Grande do Norte à mercê de decisões externas e preços internacionais. É imperativo que o governo estadual priorize um ambiente de negócios que estimule a industrialização e a competitividade técnica, em vez de apostar apenas na manutenção de setores tradicionais que já dão sinais de esgotamento ou saturação. A responsabilidade fiscal do RN depende, fundamentalmente, de uma balança comercial robusta e menos suscetível a choques pontuais.

O momento não é de alarmismo, mas de um realismo necessário. A queda no superávit é um dado técnico que não pode ser ignorado sob pena de comprometer o planejamento orçamentário dos próximos meses. Se o Rio Grande do Norte deseja retomar o protagonismo regional, precisa converter esses indicadores em um plano de ação focado em inovação e na abertura de novos mercados, garantindo que a riqueza gerada em solo potiguar seja resiliente e duradoura.