A espera de décadas por uma infraestrutura viária condizente com a importância econômica do Oeste potiguar começa a dar lugar ao som das máquinas. A duplicação da BR-304, principal artéria de ligação entre Natal e Mossoró, deixou o campo das promessas políticas para se tornar uma realidade visível com a instalação dos primeiros canteiros de obras no trecho que liga a capital do semiárido ao município de Assú. A relevância deste projeto transcende a mera conveniência de tráfego; trata-se de um eixo vital para a integração regional e para a competitividade das exportações norte-rio-grandenses, que dependem dessa via para chegar aos portos e aos grandes centros consumidores.
Conforme o cronograma técnico do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o primeiro lote contempla 57,6 quilômetros de extensão. O projeto prevê não apenas a duplicação das pistas, mas a construção de viadutos, passagens inferiores e uma nova ponte sobre o Rio Piranhas-Açu, elementos fundamentais para garantir a fluidez de um tráfego composto majoritariamente por veículos de carga pesada. A liberação ambiental, concedida de forma célere pelo Idema após ajustes técnicos no projeto, foi o último entrave superado para que as frentes de trabalho iniciassem a supressão vegetal e a terraplenagem nos pontos críticos da rodovia.
Sob uma perspectiva de gestão técnica e eficiência pública, a duplicação da "Rodovia da Morte", como tragicamente ficou conhecida devido ao alto índice de colisões frontais, representa a aplicação correta do orçamento em ativos que geram retorno real à sociedade. A modernização da BR-304 reduzirá o "Custo Brasil" para o empresário local, diminuindo o tempo de viagem e os gastos com manutenção de frotas e combustível. Além disso, a obra tem um papel estratégico na atração de novos investimentos para o Polo Cloroquímico e para o setor de energias renováveis, que veem na precariedade da logística atual o maior impedimento para a expansão de suas operações no estado.
A conclusão desta etapa, entretanto, exige vigilância constante quanto ao cumprimento dos prazos e à qualidade técnica da execução. O histórico de obras públicas no Brasil recomenda cautela, mas o início efetivo dos trabalhos traz um otimismo fundamentado para o setor produtivo e para a população que transita diariamente entre as duas maiores cidades do Rio Grande do Norte. É o Estado cumprindo seu papel de indutor do desenvolvimento através da infraestrutura, garantindo segurança ao cidadão e previsibilidade ao mercado.
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