No futebol profissional, a gestão burocrática é tão decisiva quanto o desempenho tático. O Rio Grande do Norte testemunha agora um exemplo drástico dessa realidade: a confirmação, pelo TJD-RN, da perda de 18 pontos pelo América de Natal. Diferente do que se poderia supor, o erro não envolveu cartões, mas sim o descumprimento de uma norma de idade e vínculo trabalhista. O clube escalou jogadores que, embora registrados como amadores, já haviam atingido os 20 anos de idade, violando diretamente as regras específicas da elite do futebol potiguar em 2026.
O ponto central da condenação reside no parágrafo 3º do artigo 19 do Regulamento Específico da 1ª Divisão. O texto é taxativo ao vedar a participação de atletas não profissionais a partir da data em que completam 20 anos. Ao ignorar esse limite cronológico em três partidas, o América incorreu na infração do Artigo 214 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A sanção resultou na perda de 6 pontos por cada jogo em que os atletas foram relacionados de forma irregular, criando um déficit matemático que empurrou o Alvirrubro para a lanterna e o subsequente descenso.
Sob uma análise técnica e conservadora, o episódio expõe uma falha crítica de compliance desportivo. Em uma era de profissionalização crescente, é inadmissível que um departamento jurídico e técnico de um clube do porte do América desconheça as nuances do regulamento da própria federação. O rigor do TJD, embora severo em seus efeitos práticos, é uma aplicação técnica necessária para manter a isonomia do certame. A regra, por mais específica que pareça, serve para garantir que as categorias de base e o profissionalismo sigam critérios claros e iguais para todos os participantes.
O América agora busca o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) como última esperança para evitar o desastre financeiro e esportivo da segunda divisão estadual. Contudo, o dano institucional já está consolidado. O episódio serve de alerta amargo para todo o desporto potiguar: no futebol moderno, o amadorismo administrativo é um adversário implacável que não perdoa sequer os clubes mais tradicionais.
Seja o primeiro a comentar!